30/08/2009

PERNAMBUCO NA SERRINHA


Estava dia desses tomando umas cervejas e jogando conversa fora com meu parceiro Beto Mussa. Tínhamos acabado de entregar à editora os originais do nosso livro sobre a história do samba-enredo. O tema do papo, claro, era esse.

No meio da conversa, houve o momento do óbvio. Esse mergulho doido no universo dos sambas reforçou a constatação de que Silas de Oliveira é, disparado, o maior compositor da história do gênero. Eis então que Mussa, tremendo escritor, diz a frase definitiva:

- Silas é o Machado de Assis dos sambas de enredo. Não... O Machado é que é o Silas de Oliveira da literatura.

Para reforçar a tese, vou compartilhar com os amigos uma das raridades do meu acervo particular de sambas - a gravação original, ao vivo, com puxadores, bateria e coro de pastoras do Império Serrano, do samba Pernambuco, Leão do Norte, hino imperiano de 1968. Foi registrada em um lp chamado Festival de Samba - Gravado ao vivo.

Há uma belo registro de Roberto Ribeiro desse samba. Me comove vigorosamente, porém, a versão original, com imperianos cantando a obra de Silas logo depois que ela foi feita - a gravação é de dezembro de 1967.

O registro é tecnicamente precário, é claro, mas impactante na majestade absoluta com que a Serrinha entoa - feito um hino religioso - essa exaltação a Pernambuco, num dos maiores exemplos do gênio que foi o Viga Mestre. É simplesmente o Império Serrano. E basta.

Para os imperianos de fé, é só clicar aqui e curtir essa raridade. Preparem os corações: o coro das pastoras é a coisa mais bonita do mundo!

Abraços

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26/08/2009

O PRIMEIRO CADÁVER A GENTE NUNCA ESQUECE


Não há nada mais impactante na vida de uma criança do que o cadáver inaugural. Sim, o primeiro cadáver é definitivo. Todos os outros passam a ser meros coadjuvantes - é a imagem do defunto primordial , que se transformará quase certamente no primeiro fantasma, que guardaremos pelo resto de nossas vidas.

O meu primeiro cadáver - e meu fantasma definitivo - foi Getúlio Vargas. Nã, nã, nã; eu não era nascido quando o velho cantou pra subir. Minha mãe inclusive [e ela há de perdoar a inconfidência] ainda era virgem à época do suicídio. Aos fatos.

Acontece que na minha casa havia uma edição da revista O Cruzeiro sobre o legado de Vargas, lançada no vigésimo aniversário da morte do presidente. Um dia, moleque de calças curtíssimas, folheei a revista e me deparei com uma foto inapelável, que ainda hoje é nítida na minha memória. O presidente era já um cadáver, com um detalhe aterrador - havia um lenço amarrado que sustentava o maxilar de Vargas, para evitar aquela boca aberta típica dos defuntos frescos.

O problema é que o laço que amarrava o lenço - no alto da cabeça - causava um impressão curiosa, em virtude das pontas jogadas uma para cada lado. Intrigado, com a curiosidade típica dos moleques de cinco anos, virei para meu avô e perguntei:

- Quem é ?

- Presidente Getúlio Vargas.

E aí, com a inocência de um periquitinho verde, indaguei:

- Por que ele está vestido de coelhinho da Páscoa ?

Sim, é sério. Simplesmente achei que o lacinho representava as orelhinhas do famoso símbolo pascal e os algodões nas narinas eram pompons que compunham a fantasia do coelhinho.

Meu avô, que era conterrâneo de Lampião e não tinha entre seus dotes a capacidade de lidar com essas indagações infantis, simplesmente respondeu :

- Que coelhinho nada, cabra. Ele tá é morto. Se matou com um tiro no coração. O lenço é pra evitar que o queixo fique caído. Repara só no detalhe dos algodões no nariz. É pra não sair umas melecas que todo defunto solta.

Nunca me recuperei do impacto.

Foi, asseguro aos leitores, o momento em que o menino - de forma brutal - virou homem. Foi ali, tenho certeza. Ninguém passa incólume pela experiência de descobrir que um singelo coelho da Páscoa pode ser um suicida. Até hoje não consigo esquecer da imagem aterrorizante do corpo do presidente - e sou incapaz de ver um lenço ou um simples chumaço de algodão sem considerar que foram criados para preparar os defuntos para a famosa morada final.

Fiquei anos com medo do fantasma de Vargas. Não tinha condições emocionais de visitar o Palácio do Catete. Sempre achei, e ainda acho, que Getúlio é nome de defunto. Havia uma lateral direito que jogou no São Paulo e no Atlético Mineiro que se chamava Getúlio - e eu não podia vê-lo em campo que, imediatamente, imaginava o pobre mortinho da silva, com os devidos acessórios funerais. Um troço sério.

Essa semana, aniversário do suicídio, trouxe de volta o meu cadáver de estimação. Lembrei daquela foto o tempo inteiro - e todo ano é assim nessa época.

Quero crer, e já desisti de lutar contra isso, que levarei para todo sempre os dois impactos visuais que definiram o que sou - Os trajes sensuais da moça que se transformava em Konga, a mulher gorila do parque de diversões, e o ex-coelhinho da Páscoa que se transformou em segundos no morto definitivo, inapelável.

Uso, para fechar essas mal traçadas, o mote da velha propaganda de sutiã e afirmo com a convicção de um João Batista no deserto : O primeiro cadáver a gente nunca esquece.

Abraços.

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24/08/2009

ELE DISSE E O GRANDE PRESIDENTE


Ando ocupado pra burro por esses dias. Estamos, eu e Beto Mussa, concluindo o livro sobre a história do samba de enredo, para entregar os originais à editora no final dessa semana. Foram mais de mil e duzentos sambas escutados e estudados. Acreditamos ter feito o maior levantamento da história do gênero. Agora é a reta final.

Mesmo com a absoluta falta de tempo, não posso deixar de passar por aqui para lembrar o aniversário do suicídio do presidente Getúlio Vargas. Ouçam aqui o grande Jackson do Pandeiro cantando Ele Disse. É a carta testamento transformada em um forró de primeiríssima qualidade.

Depois, cliquem aqui para ouvir a gravação sensacional do imenso Jamelão cantando o samba da Mangueira de 1956 - O Grande Presidente, de Padeirinho.

É meu recado pro Velho, que pintou, bordou e marcou - para os varguistas e para seus desafetos - a História do Brasil.

Abraços

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21/08/2009

A ENTOMOLOGIA BRASILEIRA


Pretendia escrever hoje, nessa sexta feira de tempo meio xinfrim, alguma coisa sobre a crise do Senado Federal e os desarranjos do PT. Desisti. O tema não me motiva. Prefiro falar sobre as baratas. Sim, as baratas, os insetos ortópteros que, quando com hábitos domésticos, esculhambam a nossa vida e apavoram as senhoras e senhoritas.

Recorri ao meu google de cabeceira. Quando falo de google de cabeceira, não me refiro, por óbvio, ao sítio de buscas virtuais. Meu material de consulta imediato é o Dicionário do Folclore Brasileiro, do Luís da Câmara Cascudo - um cabra que escreveu sobre qualquer coisa que diga respeito ao Brasil e o maior especialista do mundo nas artimanhas do curupira.

Pasmem - o dicionário do Cascudo não tem verbete sobre as baratas na cultura popular. Eis, então, um assunto sobre o qual o folclorista não escreveu.

Recorri ao Houaiss. O calhamaço apresenta definições para dezenove tipos de baratas. Li todos os verbetes e descobri coisas do arco da velha. Vou me especializar no tema.

Descobri, por exemplo, que existe um tipo de barata que atende pelo nome de barata-noiva. É um espécime esbranquiçado de barata, antes do escurecimento do tecido cutâneo.

Gostei também de saber que existe a barata-nua, mais conhecida como barata-oriental. Ela é cosmopolita, tem hábitos domésticos, é quase negra e tem asas abreviadas.

A popular baratinha, vejam vocês, é alemã. O nome cietífico da moça é Blatta Germanica.

A minha predileta, porém, é a barata-do-arroz. Reproduzo o verbete e clamo para que os amigos leiam até o final :

barata-do-arroz

substantivo feminino
Rubrica: entomologia.
inseto hemíptero (Tibraca limbativentris), da fam. dos pentatomídeos, que ataca plantações de arroz, trigo, soja e tomate de todo o Brasil; cangapara, frade, percevejo-castanho, percevejo-da-haste, percevejo-grande-do-arroz, sarnei

Vejam os senhores - a barata-do-arroz, que ataca e destrói plantações em todo o Brasil e esculhamba a lavoura canarinho , é também conhecida como sarnei.

Prometo continuar meus estudos entomológicos. Já estou pensando, até, em compor um samba-enredo sobre o maravilhoso universo da Leucophaea maderae [a barata-cascuda].

Enquanto vou procurar inspiração para fazer a obra assistindo aos debates da TV Senado, fiquem com uma propaganda que marcou a infância da minha geração e dá uma bela dica sobre como se livrar das baratinhas nossas de cada dia:



20/08/2009

DONA SAQUAREMA, A PATRIOTA. O INÍCIO DA SAGA

[ crianças participam da cerimônia em homenagem ao presidente Vargas no Estado Novo. A menina Saquarema é a sexta da direita para a esquerda. A foto foi tirada momentos antes do desmaio]

No início deste ano comecei a publicar, aqui no Histórias, as aventuras de Dona Saquarema, uma conhecida de minha avó que viveu a vida inteira como uma patriota convicta. Parei, porém, de contar as histórias da velha logo após a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. A proximidade do aniversário da morte de Getulio Vargas, o ídolo da nossa personagem, me fez retomar a série. A partir de hoje começarei a republicar em ordem os textos antigos, com algumas alterações, fotos e músicas. A partir da semana que vem, textos inéditos acompanharão a saga de Saquarema Marta entre o governo Dutra e o golpe militar de 1964. Não há, nesses relatos, um pingo de ficção, evidentemente. Com vocês, o início da saga.

Saquarema Marta Vasconcelos da Silva. Aqui jaz uma patriota que viveu, padeceu e morreu lutando pelo Brasil. Amou o país, a família e comoveu-se com o drama de Albertinho Limonta. Foi fiscal do Sarney e hoje descansa em paz.

São esses os dizeres da sepultura de Dona Saquarema , uma vizinha da minha tia-avó que , segundo palavras do Manoelzinho Mota durante o enterro, prestou relevantes serviços ao país e ao Lins de Vasconcelos , como verdadeira paladina do amor aos seus e ao auriverde pendão da nossa terra , símbolo augusto da paz, popularmente conhecido pelo povo simples e ignorante como a bandeira nacional ( o Mota estava inspirado no dia).

Saquarema iniciou sua trajetória cívica ainda menina , nos tempos da ditadura do Estado Novo. Participou, comovidíssima , da cerimônia realizada no estádio de São Januário em comemoração ao aniversário do presidente Getulio Vargas , no dia 19 de abril de 1938. Era uma das vozes do coral de quatrocentas crianças que o maestro Villa Lobos preparou para cantar em homenagem ao líder.

Quando Villa Lobos ergueu a batuta e o coro começou a entoar o Canto do Pajé , Saquarema foi acometida de violenta emoção. Chorava tanto, mas tanto , que acabou desmaiando no gramado no momento do Ó Tupã , Deus do Brasil [ouça aqui a histórica gravação feita em São Januário que ocasionou o piripaque cívico da menina]. Houve então uma espécie de efeito cascata ; mais de oitenta meninas , todas elas pequenas sopranos , perderam os sentidos em seguida. A mãe de Saquarema , Dona Joelma , e a irmã menor , Sirema , desmaiaram também nas arquibancadas populares.

( Antes que alguém me pergunte revelo que o pai , Seu Aderaldo, não estava no estádio. Era membro da Polícia Especial e, naquele momento, fazia a ronda em Copacabana, ao lado do padrinho de batizado de Saquarema , o amigo de farda e futuro juiz de futebol Mário Vianna - que, aliás, teve participação decisiva na vida da afilhada , como posteriormente relatarei . Mas voltemos ao Estádio da Colina - com maiúscula, para não ferir suscetibilidades cruzmaltinas .)

Ao acordar, Saquarema estava estatelada no gramado , com a cabeça no colo do próprio ditador. O presidente perguntou por que a menina havia desfalecido. Saquarema falou da emoção ao ver Vargas e a bandeira nacional no momento em que o coro começou a cantar. Ameaçou ter outro piripaque e recebeu, como recordação, uma foto do líder com dedicatória especial ( Para a doce Saquarema , com um afago do tio Getúlio ). O desmaio foi relatado como um grande momento de amor aos valores da pátria , num programa da Hora do Brasil que terminou com uma frase espetacular : - Sopra na alma desta menina brasileira o mesmo vento que inspirou a Índia Bartira, Joana Angélica, Dandara e Anita Garibaldi !

Popularíssima após o episódio, Saquarema foi manchete de jornais e ganhou de presente um contrato vitalício de fornecimento do Biotônico Fontoura (para não desmaiar mais diante de fortes emoções). Recebeu vários convites para visitar colégios e foi escolhida , entre mil e quinhentas candidatas , para hastear , ao lado do Diamante Negro Leônidas da Silva - artilheiro da copa do mundo de 1938 - a bandeira nacional na cerimônia de encerramento do concurso " Bebê Hipoglós 1939 " , evento que mobilizou famílias do Brasil inteiro , autoridades do governo , representantes de legações estrangeiras , e marcou o lançamento no país da pomada que protege , desde então , a delicada pele do bebê das assaduras.

O concurso Bebê Hipoglós acabou se transformando na segunda grande epifania cívica da vida de nossa personagem e - há testemunhas que não me deixam mentir - em um momento de fervor nacional só superado pela entrada do país na Segunda Guerra Mundial , poucos anos depois.

[continua]

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19/08/2009

O DOIDO DA VASSOURINHA


Olhem bem essa foto famosa do presidente Jânio Quadros. Tentem, por favor, adivinhar para que lado Sua Excelência está caminhando. O homem da vassourinha [ouça aqui o excelente jingle da campanha de Jânio ] também não sabia para onde estava indo, podem crer.

Jânio conseguiu a proeza de condecorar Che Guevara e, ao mesmo tempo, buscar o auxílio do presidente dos EUA, John F. Kennedy, e do seu projeto da aliança para o progresso. Acendia uma vela para Deus e outra para o capeta, como diria minha avó [que, diga-se, detestava o maluquete].

Tenho a impressão de que Jânio foi o primeiro brasileiro a virar capa da revista Time. O presidente apareceu, retratado por Candido Portinari, na edição de 31 de junho de 1961. A Time definiu Jânio como um enigma e ressaltou a dificuldade de se compreender algumas de suas medidas - como, por exemplo, a proibição de sessões de hipnose em praças públicas, a regulamentação das regras dos jogos de cartas e a proibição de corridas de cavalo às quintas feiras.

Jânio declarou, para estupor do repórter da revista, que sua maior preocupação naquele momento, em plena Guerra Fria e no auge da crise gerada pela aproximação entre Cuba e URSS, era regulamentar a participação de crianças em programas de televisão e rádio.

O deputado udenista Mário Martins disse ter ouvido de Jânio que cinco personagens históricos o teriam influenciado: Cristo, Shakespeare, Lincoln, Lênin e Chaplin. Para Martins " o problema é que nunca se sabe quando ele imita este ou aquele. Às vezes procuramos Cristo e damos de cara com Lênin". Carlos Lacerda, que durante a campanha afirmou que Jânio tinha "cheiro de povo", concluiu que o presidente era o "o mais desequilibrado dos brasileiros".

Jânio costumava andar com um pacotinho de queijo ralado no bolso, para salpicar nos cabelos e ombros e simular que tinha caspa - fato que, em sua peculiar visão, o aproximaria do povo. Pelo mesmo motivo, comia pão com mortandela (com "n" mesmo, que é como a rapaziada gosta) em público e simulava alguns desmaios, creditando a perda de sentidos à fome que atacava os brasileiros comuns como ele.

Enviou mais de 2000 bilhetinhos durante a gestão e, com menos de oito meses de mandato, renunciou ao cargo, sob pressão de "forças terríveis". Não se sabe qual personalidade estava ativa quando resolveu se empirulitar; acreditando, diga-se de passagem, que a renúncia não seria aceita pelo Congresso Nacional e pelos militares - que temiam o vice-presidente, João Goulart.

Cristo, Shakespeare, Lincoln, Lênin ou Chaplin. Qual deles baixou em Jânio na hora do gesto tresloucado? O único que descarto é o bardo inglês - o bilhete da renúncia é desprovido de valor literário.

Abraços

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14/08/2009

CHAMA NADINHO DA ILHA !


Enquanto os cadernos de cultura dos nossos jornalões gastam páginas para relembrar os quarenta anos do festival de Woodstock, não li nada que prestasse reverência a um grande artista brasileiro, sambista de boa pipa, que foi oló no início desse mês : o grande Nadinho da Ilha. Morreu na miséria, em um hospital público do Rio de Janeiro.

Tenho só motivos para admirar Nadinho. Acho que o LP Cabeça Feita, lançado em 1977, é um dos maiores da história do samba. Foi, certamente, um dos discos que me levou - moleque cercado de roqueiros e fãs da música pop - a perceber que meu negócio era mesmo o batuque brasileiro.

Em 1980 Nadinho puxou o monumental samba-enredo da Unidos da Tijuca daquele ano - Delmiro Gouveia. A escola do Borel [de onde era Nadinho] fez um dos mais belos desfiles da história do carnaval carioca, vencendo o grupo de acesso.

O HIstórias do Brasil faz, por isso, uma homenagem a Nadinho da Ilha. Os mais velhos ensinam que a reverência aos ancestrais é a condição para que a tradição se perpetue. Acredito nisso.

Cliquem aqui para ouvir Nadinho cantando Yaô, do mestre Pixinguinha.

Coloquei aqui o comovente samba-enredo Delmiro Gouveia.

Para completar e deixar a saudade falar mais alto, assistam esse vídeo em que Nadinho canta com o imenso Roberto Ribeiro.





Chama Nadinho da Ilha !

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13/08/2009

O ESTILO DOS RONALDOS

[Cristiano Ronaldo em modelito de férias]
Recebi, por conta do texto em que homenageei Anselmo [aqui] , o avante rubro-negro que desceu o cacete no carrasco Mario Soto, algumas críticas de fãs dos craques atuais. O leitor que assina como luciano rubro-negro, por exemplo, é um flamengo que execra o Anselmo e prefere Kaká e os Ronaldos. Reproduzo abaixo, sem qualquer remendo no estilo ou no uso do português, o comentário do rubro-negro que prefere o Kaká :

Já que o texto incentiva a "porrada" por que então não fazemos um movimento nacional incentivando a volta das ditaduras na américa latina e alhures? afinal de contas o que não faltam em ditaduras são "porradas". Não gostei do texto pois quer mitificar algo que hoje em dia lutamos tanto contra, isto é, a violência dentro e fora dos estádios. E já que é pra fazer faixas enaltecendo a violência acho que o Junior Baiano deveria ser também enaltecido e também o Leonardo (lembram da porrada que ele deu em 1994 naquele jogador dos estados unidos que teve que ser hospitalizado?). Apesar de não ser evangélico e achar ridículas aquelas comemorações de campeonatos no meio do campo com rezas (talvez na crença de que Deus é Brasileiro) e camisas com dizeres religiosos prefiro deixar as porradas em campo para argentinos e uruguaios e continuar a ver o futebol bem jogado pelos kakás e ronaldos da vida.

Não responderei ao luciano rubro-negro. Deixo aos flamengos essa tarefa. Prefiro, na verdade, homenagear o leitor. Foi por isso, para louvar o estilo que agrada ao luciano, que iniciei esse texto com uma foto do craque Cristiano Ronaldo, companheiro do pastor Kaká e um ícone do futebol das celebridades que é jogado atualmente.

Abraços.

12/08/2009

NINGUÉM VAI TOMAR A TERRA DA RAINHA


Finalmente chegou o carnaval. Pelo menos para esse escriba. Estamos concorrendo [eu, Beto Mussa e Edgar] com um samba na Império da Tijuca, tradicional agremiação do Morro da Formiga, que desfilará na Marquês de Sapucaí em 2010 com o enredo "Suprema Jinga - Senhora do Trono Branzngola".

Jinga nasceu entre os Jagas - uma tribo de ferreiros, canibais e feiticeiros - na época em que os portugueses chegaram a Angola. Foi batizada, mas rompeu com o catolicismo e liderou a resistência do seu povo contra o colonizador europeu. Envenenou o irmão [disposto ao acordo com os portugueses] para assumir o trono; se disfarçou de homem; ordenou que os machos do seu reino se travestissem como belas fêmeas; morreu em batalha; é cultuada nas cerimônias da congada, nas casas de santo da nação Angola e nas festas do maracatu. Toda a sua trajetória de mulher guerreira tinha sido prevista, no seu nascimento, pelos poderosos Quimbandas - sacerdotes e feiticeiros.

Em um episódio famoso de sua trajetória, Jinga se encontrou com o governador português de Luanda. Para humilhar a rainha, o português não reservou nenhuma cadeira para ela; apenas um tapete. Jinga, quando percebeu que o governador se sentaria em uma cadeira, determinou que uma escrava de sua corte de guerreiros se colocasse de quatro para ser o seu trono vivo de soberana.

Fizemos um samba sério, sem oba-oba e pula-pula, como achamos que o enredo pede e a tradição nos ensinou. Pensamos numa melodia em tom menor que tivesse características de um canto de guerra e se encaminhasse, como um lamento, para um desfecho que fala da morte da rainha e de sua transformação em mito do seu povo; até a explosão de sua coroação no carnaval - como senhora das congadas dos pretos - pelos moradores do Morro da Formiga. Para ouvir e acompanhar a letra com a saga da menina que virou rei e lutou para defender a sua terra, basta clicar aqui .

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11/08/2009

O VINGADOR DO ESTÁDIO CENTENÁRIO [PARA O EDU GOLDENBERG]


Moro nas imediações do estádio Mário Filho, às margens do Rio Maracanã, que forma ao lado do Amazonas e do São Francisco a trinca mais nobre dos rios que cruzam o Brasil. Vou ao estádio, portanto, até para assistir ao casados e solteiros que os garçons de uma churrascaria aqui perto de casa costumam promover no maraca no final do ano.

Ultimamente estava disposto a abandonar as arquibancadas. O motivo fundamental é, quero crer, mais do que justificado - a impossibilidade de tomar uma cerveja durante a partida. Assistir a esses jogos mixurucas do campeonato brasileiro sem o auxílio de umas geladas para rebater é chato pra burro.

Convencido, porém, pela minha mulher, acabei comparecendo ao Flamengo e Corinthians do último domingo. A Candida agora resolveu que vai a todos os jogos do Flamengo com o Edu Goldenberg. Como o Edu não conseguiu ir ao estádio, lá fui eu acompanhando a madame. Gosto de ir a jogos assim, sem torcer para nenhum dos times, com a tranquilidade dos que almejam apenas assistir a uma partida decente.

O jogo foi meio muquirana. O que chamou minha atenção, porém, aconteceu fora das quatro linhas. A torcida do Flamengo, assim como a do Botafogo faz com Nilton Santos e Garrincha, leva bandeiras em homenagem aos ídolos do passado. Bela iniciativa, também realizada pela torcida do Flu [que louva, de forma bacana, torcedores tricolores como Cartola e Chico Buarque]. Vi bandeiras reverenciando Zico, Andrade, Nunes, Rondinelli, Adílio, Lico, Raul, e por aí vai.

Eu sei que não tenho que meter meu bedelho nesse assunto de flamengos, mas como fã de futebol sou obrigado a dizer - a torcida deveria homenagear um ídolo que, no panteão do clube da Gávea, merece estar no mesmo patamar dos citados : Anselmo, o vingador do Estádio Centenário.

Nenhum jogador na história do futebol brasileiro cumpriu com tanta determinação uma função estabelecida por um técnico. Anselmo é daqueles casos raros de um cabra que deveria, pelos serviços prestados ao futebol, ser um patrimônio de todos os admiradores do esporte, como um Pelé, um Garrincha, um Zico, um Paulinho Criciúma ou um Rivellino.

O Flamengo disputava, em 1981, a final da Libertadores da América contra o time chileno do Cobreloa. Após a vitória por 2x1 no primeiro confronto, o urubu foi derrotado por 1x0 no jogo da volta, em Santiago do Chile.

A partida em território chileno foi das mais violentas da história do futebol. Em um campo cercado por carabineiros da ditadura chilena, um zagueiro do Cobreloa, Mário Soto, distribuiu pancadas de fazer corar até o general Pinochet. Dizem testemunhas e relatam jornais da época que Pinochet, nas tribunas, virou-se para um assecla e disse espantado:

- Não está exagerando, o nosso Mario Soto ?

Não satisfeito em praticar artes marciais no gramado, Soto resolveu disputar as jogadas com uma pedra na mão. O resultado: O maior número de supercílios abertos em todos os tempos dentro das quatro linhas. Adílio e Lico sangravam tanto que quase foram obrigados a fazer transfusão de sangue na beira do gramado. A vermelhidão chegou a ofuscar a brancura da cordilheira dos Andes.

A negra do confronto foi disputada em campo neutro - o Estádio Centenário, em Montevidéu. O Mengo definiu o título com dois gols do Galinho de Quintino, o que credenciou o time para disputar a Copa Toyota de 1981. Nada demais, apenas mais um jogo e um troféu, se não fosse pelo que ocorreu no final.

Faltando dois ou três minutos para acabar a partida, o técnico Paulo Cesar Carpegianni chamou Anselmo, o centroavante reserva, e deu a ele a instrução mais rápida da historia do esporte bretão :

- Nem aquece. Entra lá e dá uma porrada no cara.

Com impressionante disciplina tática, Anselmo fez exatamente isso trinta segundos após entrar em campo. O vingador rubro-negro deu um cruzado de direita em Mario Soto e levou o chileno à nocaute. Lembrou, pela técnica e precisão, o soco de Muhammad Ali que derrubou George Foreman na disputa pelo cinturão dos pesados em 1974.

Tenho sobre essa porrada uma tese irrefutável - ali, graças a Anselmo, as ditaduras latino-americanas que assombraram o continente durante a Guerra Fria começaram a desabar. O destino do próprio Pinochet foi selado naquele momento. Não é a toa que, em recente pesquisa publicada na Inglaterra, acadêmicos de renome consideraram que as três quedas mais impactantes da história foram a do Império Romano, a do Muro de Berlim e a de Mario Soto na final da Libertadores.

Anselmo restaurou, naquele golpe certeiro, a dimensão épica que o futebol, como metáfora da vida, deve ter. Relembrar a porrada em Mario Soto nos redime desses mauricinhos politicamente corretos, pastores evangélicos e festeiros infantis que ocupam hoje os gramados.

A diferença entre Anselmo e os Kakás e Ronaldos é a que separa os homens dos meninos. Enquanto o primeiro é um personagem digno de Ilíadas, Sertões e Odisséias, esses fracotes de hoje, quando muito, rendem apenas reportagens de quinta categoria na revista Caras.

Anselmo merece todas as loas.

Abraços

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08/08/2009

BANG BANG NA CÂMARA ALTA


Nestes dias meio atribulados em Brasília, recebi email de um aluno indagando sobre o episódio em que o pai de Fernando Collor de Mello protagonizou um tiroteio e matou um colega do Senado Federal em plena sessão legislativa. Vamos aos fatos.

Foi no dia 4 de dezembro de 1963 que o senador Arnon de Mello sacou a arma em uma sessão do Senado Federal e mandou bala pra cima do senador Silvestre Péricles, seu inimigo político em Alagoas e a quem acusava de tramar seu assassinato.

Péricles, como um Garrincha das tribunas, driblou os tiros com impressionante habilidade e também sacou a arma - e o Senado viveu momentos de saloon do velho oeste.

Quem pagou o pato nesse bang bang parlamentar foi o suplente acreano José Kairala, que levara a mulher e as filhas ao parlamento para comemorar o último dia do seu mandato. Um dos tiros de Arnon acertou Kairala no peito, diante da família.

Há que se ressaltar que, mesmo no meio do pega pra capar, os parlamentares mantiveram a compostura, tratando-se, em pleno tiroteio, por Vossa Excelência, como pede o decoro da casa. Arnon de Mello, ao mandar bala pra cima de Péricles, gritava segundo testemunhas:

- Vossa Excelência vai morrer, filho da puta, safado. Me ameaçou!

Péricles, abaixado, respondia :

-Vossa Excelência é um crápula. Vossa Excelência é ladrão !

No final da zorra toda, com furo de bala até no teto do Senado, Arnon de Mello, o assassino de José Kairala, não sofreu qualquer tipo de punição pelo ato, protegido que estava pela imunidade parlamentar.

O grand finale do episódio aconteceu no dia seguinte. O jornal O Globo, de propriedade de Roberto Marinho - amigo e sócio de Arnon no jornal Gazeta de Alagoas - veio com um editorial em defesa do assassino, elogiando inclusive a cultura, a educação e a inteligência do bandoleiro alagoano. Um sujeito finíssimo, verdadeira flor de formosura, como a bala que matou Kairala na frente das filhas e da mulher. Dizia O Globo, nessa verdadeira pérola da imprensa canarinho:

"A democracia, apesar de ser o melhor dos regimes políticos, dá margem, quando o eleitorado se deixa enganar ou não é bastante esclarecido, a que o povo de um só estado - como é o caso - coloque na mesma casa legislativa um primário violento, como o Sr. Silvestre Péricles, e um intelectual, como o Sr. Arnon de Mello, reunindo-os no mesmo triste episódio, embora sejam eles tão diferentes pelo temperamento, pela cultura e pela educação".

Depois dessa do jornalão dos Marinho, não tenho, feito um Armando Falcão da rede virtual, nada a declarar.

Abraços

04/08/2009

O REI, A LENDA, O SAMBA

[foto tirada pela Candida na viagem que realizamos ao Maranhão. Do outro lado da lagoa está Cururupu, onde mora Dom Sebastião. Apesar das tentativas, não encontrei o homem]

O dia de hoje é da maior responsabilidade. Foi em 4 de agosto de 1578, em Alcácer Quibir, no Marrocos, que desapareceu o rei de Portugal Dom Sebastião.

Como o corpo não foi encontrado, as versões mais mirabolantes sobre o que teria acontecido com o rei foram difundidas. O que, afinal, aconteceu com o monarca ?

Dizem que Dom Sebastião mora na Ilha dos Lençóis, no município de Cururupu, no Maranhão. Seu reino está oculto, no fundo do mar, nas proximidades da ilha encantada. As dunas da ilha parecem os areais do deserto de Alcácer-Quibir.

Às sextas-feiras, o rei aparece na praia na forma de um touro negro, com uma estrela na testa. Se alguém conseguir cravar um punhal na estrela, o feitiço será quebrado, a cidade de São Luís irá submergir e, do fundo do mar, aparecerá o castelo do rei e toda a sua corte de encantados.

As melhores épocas para se ver o touro negro coroado são durante os meses de junho [nas festas do bumba-meu-boi] e agosto [aniversário da batalha de Alcácer-Quibir].

Hoje, 4 de agosto, é o dia em que a escuridão dos Lençóis será palco de um passeio do rei com os fidalgos da corte. É que em todo o aniversário da batalha o rei vaga pelas dunas buscando o navio que pode reconduzi-lo a Portugal. É noite de encantaria e de tambores misteriosos.

Como é normal acontecer no Brasil com s, essa fabulosa versão sobre Dom Sebastião acabou em samba. Explico.

Em 1974, em mais um momento glorioso da história do carnaval carioca, o Salgueiro desfilou com o enredo O Rei de França na Ilha da Assombração, fruto da imaginação portentosa de Joãosinho Trinta. A síntese do enredo é a seguinte:

O poeta Gonçalves Dias encontrou um menino, na Fonte do Ribeirão, e começou a revelar ao garoto os segredos sobre o Maranhão e suas magias. Contou que o rei Luís XIII de França esteve no Maranhão durante a infância e, durante um delírio, imaginou que a ilha de São Luís era o Palácio de Versalhes. Falou da história da terrível Ana Jansen [a Nhá Jança] , uma implacável senhora de escravos que ainda hoje passeia em uma carruagem assombrada pelas ruas da cidade velha, às madrugadas. Revelou que a ilha de São Luís é rodeada por uma serpente que cresce pouco a pouco. No dia em que a cauda encontrar a cabeça do monstro, a cidade será destruída. A serpente fora uma escrava que, em virtude dos sofrimentos, encantou-se no bicho e prometeu se vingar. Contou, finalmente, sobre o touro negro dos Lençóis - o Rei Sebastião de Portugal. O garoto pergunta a Gonçalves Dias como é que ele sabe de tudo isso. O poeta revela que aprendeu esses segredos com as pretas velhas dos terreiros de encantaria maranhenses.

Isso é, rigorosamente, um senhor enredo - daqueles que as escolas de samba [com raras exceções ] não fazem mais. O negócio agora é enredo patrocinado sobre camarote de cerveja e quejandos.

Para louvar o touro negro dos lençóis, ouçam o samba de 1974 do Salgueiro, de Zé Di e Malandro, na gravação de Laila [ele mesmo, o Laila, atual homem forte da Beija Flor] e Zé Di.


Abraços

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03/08/2009

DOMINGO


Faz tempo que pretendo escrever sobre os domingos de feira, botequim, futebol e samba que tenho compartilhado com os amigos. Desisti.

Resolvi fazer o seguinte. Coloquei na rede uma gravação - das mais raras e emocionantes - do grande Aroldo Melodia, acompanhado pelo filho Ito, cantando na quadra da União da Ilha do Governador o clássico samba de 1977 da escola - Domingo [ do grande Aurinho da Ilha].

Ouçam aqui .

Abraço

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02/08/2009

O TREMENDÃO DA AEROLÂNDIA


Passei, nessas férias, uns dias no Ceará. Estava tomando uma cerveja gelada e traçando um peixe na brasa na praia do Préa, pertinho de Jericoacoara, quando perguntei ao garçom, algo que faço com frequência quando viajo, sobre o time de futebol do cabra. O diálogo foi mais ou menos o seguinte:

- Querido, torces para que time?

- Flamengo no Brasil e Ceará aqui, sim senhor.

- Putz. É uma praga essa quantidade de flamengos no nordeste...

- E qual é o time de vocês, cariocas ?

- Flamengo, é claro [respondeu a Candida, enquanto lambia os beiços com um robalo magnífico à mesa ].

Eu mandei de bate-pronto:

- Botafogo no Brasil e, aqui no Ceará, sou simpático ao Calouros do Ar. Apesar da desfeita que o Calouros fez, derrotando o Botafogo, com Mané Garrincha e tudo, por 1 x 0 em um amistoso em 1954. O Garrincha, aliás, chegou a perder um pênalti nesse jogo.

O garçom, e a Candida é testemunha, me olhou com a compaixão franciscana da Doutora Nise da Silveira conversando com os doidos e soltou apenas um muxoxo:

- Affff.

Falei a verdade. O time que conta com a minha simpatia no Ceará é o Calouros do Ar, com esse nome espetacular, mais adequado a um quadro do programa do Raul Gil.

A origem do Calouros do Ar está no América de Fortaleza, clube inspirado no rubro carioca de Campos Sales. Explico.

O técnico do América, no final dos anos 40, era o sub-comandante da base aérea de Fortaleza, Clóvis Maia de Mendonça. O cabra era doido por futebol e, para reforçar o América, teve uma ideia - levou os craques das peladas da base aérea [soldados, cabos e sargentos ] para jogar no time.

Em 1950, quando Clóvis Maia de Mendonça foi transferido para uma base fora do Ceará, os jogadores deixaram o América e, em 1 de janeiro de 1952, fundaram o time da Base Aérea de Fortaleza - o Calouros do Ar Futebol Clube. O nome do time foi escolhido em homenagem ao conjunto musical da base e aos aspirantes a oficiais aviadores.

A maior glória da história do Calouros do Ar - depois, evidentemente, da vitória sobre o Botafogo em 54 - foi o título do campeonato cearense de 1955 [até agora o único da história do esquadrão tricolor]. A equipe campeã, que derrotou o Ferroviário por 2x0 na final, jogou com os heróis Jairo, Pedrinho e Coité; Luciano, Jandir e Jesus; Edilson Araújo, Zezinho, Beto, Hélder e Zuzinha.

Soube, nessa minha passagem pela terra da Iracema, que o Calouros do Ar está na terceira divisão do campeonato cearense - vivendo um perrengue parecido com o do América carioca. Além disso, há um probleminha - a federação cearense suspendeu o time de competições oficiais até 2010, em virtude de uma suposta manipulação de resultados no último jogo do Calouros em 2008; uma derrota esquisita por 8 a 0 para o esquadrão do Tauá.

É, tá feia a coisa para o Tremendão da Aerolândia.

Abraços.



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